quinta-feira, 7 de abril de 2011

Leva Maré

Hora de buscar um outro mar.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Sempre assim.

Pode me entregar o teu coração. Eu já não seguro mais o amor. Pode segurar a minha mão, sentar mais perto e encostar tua boca na minha (sem medo), porque o sonho também é meu.
Pode esquecer os medos todos, desfazer toda apreensão e esquecer toda tristeza de antes de agora, porque eu também quero fazer com que tudo aconteça como merece acontecer.
Deixa a tua vontade livre tocar a minha – eu que te quero tanto. Deixa aquele limite pra lá, joga aquela dúvida pro canto do mundo longe de nós dois. Derruba meu tédio intocável com o teu melhor sorriso e destrói todos os meus incansáveis “nãos” junto comigo.
Me mostra que é possível de novo, porque eu já não duvido mais: você é o meu "sim" e o meu mais incrível amor.
Me deixa ser a imagem na janela da sala, o violão no telhado e a bebida dividia no mesmo copo. Me deixa ser a sua história de amor mais bem contada que novela das oito. Me deixa ser teu par, sem variações.
Dança comigo.
Prometo sempre encontrar um gelo pro queixo machucado; Prometo vencer, por completo, o meu medo de motos e os outros medos todos; Prometo cuidar de você com todo amor que tenho: minha poesia é tua... Pega!


"E aqui termina a história de Nacib e Gabriela quando renasce a chama do amor de uma brasa dormida nas cinzas do peito."

Data Venia.

Entre sua liberdade de ser sempre quem você é e a sua despreocupação com o outro, você me perdeu. Entre a sua prepotência e o seu insuportável narcisismo, eu escapei. Entre as tuas necessidades tão imediatas e as minhas urgências tão esquecidas, percebi ser outro o meu lugar e diversa a minha procura.
Entre sua indelicadeza velada e a sua frieza tão bem disfarçada de desapego, arrisquei outros corações com mais carinho e outras vozes com mais amor.  Entre as suas infinitas explicações e seus incansáveis argumentos, escapuli pra lugares de menor racionalidade e de maior sentido.
Entre a tua desistência e a tua presença insistente, descobri que gosto do nosso silêncio e que existem muitas vozes lindas e carentes de atenção por aqui. Entre tuas coisas e minhas coisas, descobri que tudo pode ser mistura e que existem pessoas dispostas a compartilhar.
Entre o teu intelecto e o meu sentimentalismo piegas; entre o teu blues e o meu samba; entre a tua segregação e a minha busca de união; entre o teu descaso e a minha preocupação; entre a tua perfeição e meus pedaços, o laço se desfez. Todo laço se desfez.
Não admiro, não espero, não desejo e não minto: não me importo mais.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O verbo.

Antes do sofrimento e antes das dores, temei as palavras. Antes dos insucessos e da má sorte; antes dos pecados e das assombrações, cuida de entender o que é dito. Antes do amor e da paixão; antes do carinho e da esperança, temei as palavras e as entrelinhas de tudo. Porque é do que é dito e não dito, do escrito e não escrito que nascem todos esses monstros da vida. Porque é a palavra que torna tudo real, verdadeiro, inconteste e assustador: antes dela, tudo pode ser nada; depois dela, tudo obrigatoriamente nasce – inclusive o fim – e as palavras não mudam de ideia, ainda que quem as diga venha, um dia, a mudar de opinião.
As palavras são independentes e fortes em si mesmas, ainda que não sejam nada por si só. São catalisadores de vida com poderes ilimitados.
O poder do amor termina na impotência da esperança que o acompanha; o poder da paixão finda quando o desejo é satisfeito; o poder do medo termina quando a superação aparece; o poder da dor se desfaz com o passar do tempo; o poder da palavra, diferente de todos os outros, desconhece limites: tudo nasce e acontece no verbo. É bíblico. 

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Do início.

Tem medo não. Tudo é assustador pra todo mundo e o chão sempre treme quando a gente espera por segurança demais.
Tem medo não. A gente segue a vida assim, do jeito que dá: um abraço alucinado na realidade e uma experiência na idéia. Tem medo não que todo mundo é meio coragem e meio sonho; meio homem e meio rato; meio sólido e meio líquido. Ou frações variáveis de qualquer coisa variável. E todo mundo sempre se virou bem com isso.
Tem medo não que todo mundo tem esse lado feio e esse olhar torto de vez em quando. Tem medo não que, em todo mundo, nasce uma fé e uma dúvida, e um peso que a gente não sabe como segurar. Tem medo não que esse vazio tá no peito de todo mundo. E essa fraqueza e essa dor e esse grito não são privilégios apenas da elegância de sua alma.
Tem medo não que todo mundo também tá aí querendo provar o contrário. E todo mundo também é gênio e todo mundo também é criminoso e poeta. Pois não disseram que o pecado já ganhou de todo vencedor e que não tem derrotado que não tenha levado um abraço da virtude? Pois então, disseram (e eles não mentem demais).
Tem medo não que o amor chega e vai embora; a dor é sentida e perde a razão de ser; a felicidade começa e termina e começa e termina de novo;  a paixão confunde e apaga; a admiração nasce e a decepção vem ou não (como todas as demais coisas); o tempo passa, mas amanhã tem outro dia que não acaba nunca, e tudo um dia vira pó.
Tem medo não que a resposta pode ser qualquer uma e a pergunta diz quase nada - só porque nada importa de verdade. No fim a gente morre. E morre um monte de vezes.  O lucro é brincar com a poeira do caminho.

Dilema.

Se te chamar de amor, estarei, inoportunamente, usurpando a voz que, perto de ti e fundada em todas as razões,  diz: "amor". Se te chamar de amigo, assumo o perigo de agredir meus próprios sentimentos, esses mesmos sentimentos que deixam evidente que a amizade sofreu (!) uma mutação que impede toda denominação menos apaixonada.
Se te chamar "paixão", o vento do passado soprará aos meus ouvidos lembranças de outros beijos e outras épocas que não mais importam. Se silenciar e te deixar sem a súplica da minha voz, corro o risco de assassinar o sentimento vencedor da minha triste descrença no amor.
Decido, então, apenas te chamar - sem charme e sem enfeite - com a esperança de mantê-lo por perto, com a vontade imensa de te dizer: és mesmo minha paixão, meu amigo e meu amor (ainda que tudo seja tão impróprio na teoria da nossa prática).

Abre as cortinas pra mim?

domingo, 25 de julho de 2010

(Des) Trancar.

Desculpa se desaprendi a lição, se deixei escapar algum verbo impreciso e disforme que não se encaixa mais tão bem na sua canção.
Desculpa se enxergo e respeito todos os limites do caminho e se não consigo ultrapassar nenhuma barreira que se impõe. É que me perco no improviso, me confundo com o impossível e  me desarranjo com sonho.
Desculpa se meu signo destoa tanto assim do seu e se o meu controle choca sempre com a tua espontaneidade. É que meu coração, que nunca foi de apanhar, se esforça sem sucesso para lembrar-se de bater.
Desculpa essa minha loucura de tentar esquecer, afirmar esquecer, fingir esquecer, sem nunca esquecer de esquecer. Isso é só proteção e cuidado que quero e preciso (de dentro pra fora e de fora pra dentro), porque a verdade nem sempre é bem-vinda e, vez ou outra, a gente precisa amordaçá-la com carinho.
Desculpa por fazer da tua brincadeira um jogo sério e do teu drama um coração partido do outro lado, mas é que sou hipérbole de tudo, de cada mínimo tudo.
Desculpa por te entregar a outras vozes e a outros conselhos, mas é que só eles sabem segurar e soltar as mãos que sustentaram. Você esqueceu de me ensinar essa lição e eu fui incompetente demais pra desejar o aprendizado só.
Desculpa por deixar sua folha em branco, mas tenho medo de, com a minha palavra, fazer rasura no que pode ser seu melhor poema. Se existisse justiça nesses assuntos, diria não ser justo que tanto oposto de mim acabe por mexer no tão puro de você.
Então, desculpa por destruir seu texto (eu que tenho tantos versos que são seus) e por não te entregar a felicidade que me foi solicitada (ainda que em todo sorriso meu brilhe sempre um pedaço de você). É que o amor, às vezes, erra. 
So sorry.