O tempo inteiro você se protegeu apenas de você mesma. Você sempre foi seu inimigo, seu algoz, o alvo que tanto procurou em mim. Você sempre trouxe as características que mais detestava e acabou por realizar tudo aquilo que julgava repugnante. Você se tornou o outro lado. O lado que sempre contestou, que sempre acreditou nunca visitar.
Você se transformou no monstro que sempre acreditou fugir. Você agora é tão pouco, tão rasa, tão pobre de tudo.
Como tua prepotência te permitiu errar tanto? Como tua insaciável vontade de perfeição te permitiu ser tão torta assim?
Seus ideais foram todos feridos. Sequer sobrou uma virtude sem mágoa.
Todas as suas palavras resultaram em mentira desnecessária, em discurso que impressiona, mas não sustenta realidade alguma.
Provavelmente, você ainda enxerga uma cara limpa no espelho, e isso porque nunca conseguiria abandonar a louca certeza de quem se acha sempre correto. Ter a pureza da dúvida não faz teu gênero, nunca fez.
Hoje penso com alívio no desconforto que provoco em você. Se não fosse difícil, para alguém como você, conviver comigo, provavelmente, eu não estaria me expressando do jeito correto.
Quantas maldades e quantas farpas você ainda haverá de distribuir por aí e quantas delas não tentarão me atingir de novo e de novo e de novo. É uma pena que você não saiba que já derramei todo o sangue que haveria de derramar por você. Não resta uma gota sequer.
Tudo que foi derramado, no entanto, não é um problema. Tudo o que foi derramado, inevitavelmente, teria que ser derramado, caso contrário, eu seguiria meu caminho insegura, imaginando que o erro residia em mim e o erro nunca residiu em mim. Ele sempre estava ali, do seu lado (você estava certa nesse ponto), mas ele nunca respondeu pelo meu nome.
Sempre foi você quem desejava o oposto do que anunciava. Sempre foi você quem arquitetava situações propícias para ser cruel. Sempre foi você quem trazia no rosto uma pesada máscara errante.
Era você quem tinha inveja, era você quem nutria o ódio, era você quem, por medo de sangrar, derramava sangue alheio, sem culpa ou ressentimentos.
Não, não é à toa que você se incomode tanto com quem eu sou. Eu sou quem você pensa que é – e não é. A cara limpa é a minha. A sinceridade e a transparência cabem ao meu coração. O trabalho para ser simples é exercido por minha alma – sempre e de novo. Você é só o avesso do avesso do avesso. Você é só alguém que se perdeu na demagogia infinita de tentar demonstrar ser quem não nunca foi.
Você é só. Você é pouco.
O que dói em mim? O peso das escolhas feitas, afinal, “quanto maior as escolhas, maiores as perdas”. Apenas, dói em mim o tempo que escolhi passar com você ou com quem você parecia ser.
O bom é que a vida segue e que surpresas boas haverão de vir para ofuscar todos os péssimos acontecimentos. O bom é saber que infinitas novas escolhas ainda haverão de ser feitas. O melhor é ter a certeza de que não mudarei em mim os detalhes que você mais odeia pelo simples motivo de serem eles as qualidades mais lindas que devemos cultivar, mas você não entende. Você nunca entende, nem nunca entenderá.
domingo, 22 de novembro de 2009
sábado, 14 de novembro de 2009
Clichê ( E daí?)
Pode até ser que uma dor nos atinja de vez em quando, mas, e daí? É só uma dor que passa no instante seguinte, no desejo fiel do próximo passo.
E daí que algumas vezes uma escolha ou outra não dê certo? São só algumas escolhas - dentre infinitas outras escolhas que darão certo.
Qual o problema de ter um ou cinco amores que não seguiram até o infinito? É sempre amor. Sempre forte e suficiente; sempre firme e verdadeiro em si mesmo. Pouco importa se o amor mudou (posto que amor não morre): importa ter amado.
E daí que a vida, sem motivos ou razões, mude o nosso caminho de vez em quando? Sempre haverá um atalho qualquer, uma nova estrada a ser construída. Quem sabe logo em frente não teremos um retorno ou um desvio inesperadamente genial...
Para que culpar o destino por separar caminhos inseparáveis, por driblar nossos planos e ignorar nossas vontades? Talvez seja só um esquema incompreensível, talvez isso faça parte dos seus sonhos e você nem saiba.
E daí que a gente chore algumas vezes? É só uma faxina na alma, uma reorganização de tudo.
Pouco importa se te magoaram demais, afinal, por quantos sorrisos você ainda pode se apaixonar? Quantas mãos você ainda poderá segurar com uma confiança plena e inabalável? Quantas pessoas ainda caberão em seu abraço?
E daí que você também errou incontáveis vezes e por incontáveis vezes não conseguiu contornar as situações? Tudo é aprendizado, uma importante lição para menores erros que acontecerão daqui a pouco.
E daí que a gente caia, quebre a cabeça e se engane uma vez ou outra? Ninguém precisa estar sempre certo. Ninguém precisa ser sempre vencedor. Importante é ter a coragem de levantar e seguir em frente. Importante é ter sensibilidade para perceber que temos forças inesgotáveis que sempre acordarão, cedo ou tarde.
E quem vai se importar se parecer um pouquinho tarde demais? A beleza do movimento será a mesma e será o mesmo vento a balançar os cabelos. Será a mesma sede de vida que invadirá o peito, como um sol num quintal.
Certo é que para sempre será melhor viver do que guardar a vida para daqui a pouco. A vida é longa, mas sempre pode acabar agora, então, que em todas as possibilidades de término ela tenha um bom fim.
E quem se importa com a sua imperfeição? A vida é linda nos seus altos e baixos, nas suas contradições e paradoxos. É linda por permitir que tudo siga sempre se acertando: daqui a pouco fica tudo bem (e mal, pra ficar bem outra vez).
E daí que a vida não é perfeita, o amor é um sonho e a felicidade é instável? E daí que nada é tão fácil assim?
E daí, não é mesmo?
Basta que exista a vida. Basta que se sinta o amor e que se sonhe sempre. Basta ser feliz de vez em quando e que, nesses momentos, você se perceba ininterruptamente feliz.
“De tudo ficaram três coisas
A certeza de que estamos começando
A certeza de que é preciso continuar
A certeza de que podemos ser interrompidos
antes de terminar
Façamos da interrupção um caminho novo
Da queda, um passo de dança
Do medo, uma escada
Do sonho, uma ponte
Da procura, um encontro!”
(Fernando Sabino)
E daí que algumas vezes uma escolha ou outra não dê certo? São só algumas escolhas - dentre infinitas outras escolhas que darão certo.
Qual o problema de ter um ou cinco amores que não seguiram até o infinito? É sempre amor. Sempre forte e suficiente; sempre firme e verdadeiro em si mesmo. Pouco importa se o amor mudou (posto que amor não morre): importa ter amado.
E daí que a vida, sem motivos ou razões, mude o nosso caminho de vez em quando? Sempre haverá um atalho qualquer, uma nova estrada a ser construída. Quem sabe logo em frente não teremos um retorno ou um desvio inesperadamente genial...
Para que culpar o destino por separar caminhos inseparáveis, por driblar nossos planos e ignorar nossas vontades? Talvez seja só um esquema incompreensível, talvez isso faça parte dos seus sonhos e você nem saiba.
E daí que a gente chore algumas vezes? É só uma faxina na alma, uma reorganização de tudo.
Pouco importa se te magoaram demais, afinal, por quantos sorrisos você ainda pode se apaixonar? Quantas mãos você ainda poderá segurar com uma confiança plena e inabalável? Quantas pessoas ainda caberão em seu abraço?
E daí que você também errou incontáveis vezes e por incontáveis vezes não conseguiu contornar as situações? Tudo é aprendizado, uma importante lição para menores erros que acontecerão daqui a pouco.
E daí que a gente caia, quebre a cabeça e se engane uma vez ou outra? Ninguém precisa estar sempre certo. Ninguém precisa ser sempre vencedor. Importante é ter a coragem de levantar e seguir em frente. Importante é ter sensibilidade para perceber que temos forças inesgotáveis que sempre acordarão, cedo ou tarde.
E quem vai se importar se parecer um pouquinho tarde demais? A beleza do movimento será a mesma e será o mesmo vento a balançar os cabelos. Será a mesma sede de vida que invadirá o peito, como um sol num quintal.
Certo é que para sempre será melhor viver do que guardar a vida para daqui a pouco. A vida é longa, mas sempre pode acabar agora, então, que em todas as possibilidades de término ela tenha um bom fim.
E quem se importa com a sua imperfeição? A vida é linda nos seus altos e baixos, nas suas contradições e paradoxos. É linda por permitir que tudo siga sempre se acertando: daqui a pouco fica tudo bem (e mal, pra ficar bem outra vez).
E daí que a vida não é perfeita, o amor é um sonho e a felicidade é instável? E daí que nada é tão fácil assim?
E daí, não é mesmo?
Basta que exista a vida. Basta que se sinta o amor e que se sonhe sempre. Basta ser feliz de vez em quando e que, nesses momentos, você se perceba ininterruptamente feliz.
“De tudo ficaram três coisas
A certeza de que estamos começando
A certeza de que é preciso continuar
A certeza de que podemos ser interrompidos
antes de terminar
Façamos da interrupção um caminho novo
Da queda, um passo de dança
Do medo, uma escada
Do sonho, uma ponte
Da procura, um encontro!”
(Fernando Sabino)
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Por Franz.
“Então, nesse momento, compreendeu com espanto que não estava infeliz. A presença física de Sabina contava muito menos do que pensava. O que contava era o traço dourado, o traço mágico que ela havia imprimido em sua vida e que ninguém poderia tirar. Antes de desaparecer no horizonte, teve tempo de entregar-lhe nas mãos a vassoura de Hércules com a qual ele varrera de sua vida tudo aquilo que não gostava. Essa felicidade súbita, esse bem-estar, essa alegria, que lhe proporcionavam a liberdade e a vida nova, tudo isso era um presente que ela lhe havia oferecido.
Alias, sempre preferira o irreal ao real. Assim como se sentia melhor nos desfiles (que, como disse, não são mais do que um espetáculo, um sonho) que numa cadeira de professor onde dava aulas a estudantes, estava mais feliz com Sabina transformada em deusa invisível do que quando estava com ela percorrendo o mundo, tremendo a cada passo por seu amor. Ela lhe dera de presente a súbita liberdade do homem que vive só, enfeitara-o com a aura da sedução.”
(...)
“Tentou imaginar o rosto com as grossas lentes redondas. Compreendia como era feliz com sua estudante. A viagem ao Camboja pareceu-lhe de repente ridícula e insignificante. No fundo por que teria vindo? Agora sabia. Fizera essa viagem para compreender, enfim, que sua vida verdadeira, sua única vida real, não eram nem os desfiles nem Sabina, mas sim a estudante de óculos! Fizera essa viagem para se convencer de que a realidade é mais do que o sonho, muito mais do que o sonho.”
Milan Kundera - A insustentável leveza do ser.
Alias, sempre preferira o irreal ao real. Assim como se sentia melhor nos desfiles (que, como disse, não são mais do que um espetáculo, um sonho) que numa cadeira de professor onde dava aulas a estudantes, estava mais feliz com Sabina transformada em deusa invisível do que quando estava com ela percorrendo o mundo, tremendo a cada passo por seu amor. Ela lhe dera de presente a súbita liberdade do homem que vive só, enfeitara-o com a aura da sedução.”
(...)
“Tentou imaginar o rosto com as grossas lentes redondas. Compreendia como era feliz com sua estudante. A viagem ao Camboja pareceu-lhe de repente ridícula e insignificante. No fundo por que teria vindo? Agora sabia. Fizera essa viagem para compreender, enfim, que sua vida verdadeira, sua única vida real, não eram nem os desfiles nem Sabina, mas sim a estudante de óculos! Fizera essa viagem para se convencer de que a realidade é mais do que o sonho, muito mais do que o sonho.”
Milan Kundera - A insustentável leveza do ser.
sábado, 24 de outubro de 2009
Os dias passam e nada muda. Nada muda há muito tempo, depois de tudo ter mudado irremediavelmente. Nada desvia o caminho que as coisas tomaram. “As coisas”... Essas coisas que escapam das definições e regulamentos vários.
Nenhuma nova posição, nenhuma nova palavra. Na verdade, nenhuma palavra, ainda que repetida. Nenhuma tentativa, nenhum conforto. Só esse espaço vazio, essa sensação de que tudo está fora do lugar.
Vai saber qual ordem minha (prévia ou não) deixei de cumprir...
Como saber agora qual o escudo deveria ser levantado ou qual técnica de defesa não poderia ser desprezada? Eu que preferi seguir sem armas, por puro capricho de quem pensa que sabe o que faz...
Quem vai descobrir agora a palavra que fez desmoronar o castelo e que descoloriu o sonho? Na bagunça do monocromático onde tudo parece um desacerto, os outros diriam “pesadelo”.
Eu que me acostumei com os sonhos, não sei mais qual o plano que devo seguir, não sei mais consertar a minha racionalidade tão (pouco) eficiente. Não sei como adequá-la a esse “ser-novidade” que me tornei. Porque, se antes de tudo (esse tudo que é você) eu era limitada, dentro desse limite eu era um todo (como um homem que quando se pensa rato é completo, mas quando se percebe homem é nada).
Depois do furacão (esse furacão que é você), por falta de cautela ou por força inevitável do destino, escapei dos meus limites e, como ser escorregadio, me perdi nas infinitas possibilidades do que posso ser.
Porque dos infinitos olhos que se abriram pra mim, eu apenas espero decifrar os seus; dos infinitos rostos que cruzaram a porta que você abriu, apenas desejo esbarrar com o que responde pelo seu nome.
Coisas que não explicamos ou dispensam explicações: ao conhecer o universo, desejei um só planeta. Queria que desaparecessem essas marcas indeléveis em mim e que tudo se acomodasse de novo. A bagunça me confunde e me transforma em quem não sou ou demais em mim.
Queria ser injusta o suficiente pra esquecer o que nunca aconteceu (salvo, dentro de mim), cruel o bastante pra não me importar e fria o necessário para abandonar um caminho já deserto.
Desejaria ser satisfatoriamente vulgar pra sofrer por ter revelado a minha verdade oculta e pra carregar um desgosto desse aprendizado, mas eu tenho aquele sentimento ridículo que me pára no meio do caminho e que me torna corpo fechado para a dor. Esse sentimento ridículo que alimenta o peito de esperança e de fé e que simplesmente te faz acreditar num instante seguinte de felicidade. Esse sentimento ridículo que te faz ter a certeza de esperar uma volta que nunca precisamos saber se existirá, talvez porque saibamos que nunca venha a existir. Esse sentimento ridículo, inexplicável e incompreensível que é, sem dúvidas, o melhor que trago em mim, ainda que nunca me pertença.
“Era pouco o que ele era agora: um rato. Mas enquanto rato, nada nele era inútil. A coisa era ótima e profunda. Dentro da dimensão de um rato, aquele homem cabia inteiro”
(Clarice Lispector)
Nenhuma nova posição, nenhuma nova palavra. Na verdade, nenhuma palavra, ainda que repetida. Nenhuma tentativa, nenhum conforto. Só esse espaço vazio, essa sensação de que tudo está fora do lugar.
Vai saber qual ordem minha (prévia ou não) deixei de cumprir...
Como saber agora qual o escudo deveria ser levantado ou qual técnica de defesa não poderia ser desprezada? Eu que preferi seguir sem armas, por puro capricho de quem pensa que sabe o que faz...
Quem vai descobrir agora a palavra que fez desmoronar o castelo e que descoloriu o sonho? Na bagunça do monocromático onde tudo parece um desacerto, os outros diriam “pesadelo”.
Eu que me acostumei com os sonhos, não sei mais qual o plano que devo seguir, não sei mais consertar a minha racionalidade tão (pouco) eficiente. Não sei como adequá-la a esse “ser-novidade” que me tornei. Porque, se antes de tudo (esse tudo que é você) eu era limitada, dentro desse limite eu era um todo (como um homem que quando se pensa rato é completo, mas quando se percebe homem é nada).
Depois do furacão (esse furacão que é você), por falta de cautela ou por força inevitável do destino, escapei dos meus limites e, como ser escorregadio, me perdi nas infinitas possibilidades do que posso ser.
Porque dos infinitos olhos que se abriram pra mim, eu apenas espero decifrar os seus; dos infinitos rostos que cruzaram a porta que você abriu, apenas desejo esbarrar com o que responde pelo seu nome.
Coisas que não explicamos ou dispensam explicações: ao conhecer o universo, desejei um só planeta. Queria que desaparecessem essas marcas indeléveis em mim e que tudo se acomodasse de novo. A bagunça me confunde e me transforma em quem não sou ou demais em mim.
Queria ser injusta o suficiente pra esquecer o que nunca aconteceu (salvo, dentro de mim), cruel o bastante pra não me importar e fria o necessário para abandonar um caminho já deserto.
Desejaria ser satisfatoriamente vulgar pra sofrer por ter revelado a minha verdade oculta e pra carregar um desgosto desse aprendizado, mas eu tenho aquele sentimento ridículo que me pára no meio do caminho e que me torna corpo fechado para a dor. Esse sentimento ridículo que alimenta o peito de esperança e de fé e que simplesmente te faz acreditar num instante seguinte de felicidade. Esse sentimento ridículo que te faz ter a certeza de esperar uma volta que nunca precisamos saber se existirá, talvez porque saibamos que nunca venha a existir. Esse sentimento ridículo, inexplicável e incompreensível que é, sem dúvidas, o melhor que trago em mim, ainda que nunca me pertença.
“Era pouco o que ele era agora: um rato. Mas enquanto rato, nada nele era inútil. A coisa era ótima e profunda. Dentro da dimensão de um rato, aquele homem cabia inteiro”
(Clarice Lispector)
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Exceptio veritatis
É a tua pobreza de espírito que me espanta, a tua necessidade de ferir e de parecer ferido a todo custo.
O que me dói é ter sempre um rosto mais feio pra conhecer, uma encenação mais atroz.
Essa falta de verdade nos teus atos é que me corta o peito.
Esse seu medo infantil de assumir o que sente e essa inexplicável força de reprimir toda a sua verdade é que me fazem temer suas atitudes que, no fundo, nunca compreendi.
É por não entender o que você espera de mim que sempre precisei dar passos para trás. Por sempre estar rodeada das suas certezas imutáveis, desejei caminhos mais leves.
Porque, um dia, todos nós descobrimos que o amor não pesa tanto assim, não exige tanto assim.
É a tua falta de tato com os sentimentos que te afastam do meu universo. A sua preocupação irritante com suas possíveis dores e sofrimentos é que não te permite a experiência da felicidade.
Dói saber que você não percebeu, mesmo agora, que não se pode ser feliz com tanta cautela e nenhuma cicatriz. “Os medíocres apenas escorregam. Os bons quebram a cabeça”, lembra?
Era pra você ter quebrado a cabeça depois do escorregão, mas você foi pouco pra isso.
Essa tua crueldade de apontar os meus erros e esconder todos os seus é que me faz perder o brilho no olhar. E você consegue sempre ser menor, sempre ser mais vil.
Agora já não me assusto tanto por ser tão incompreendida e mal avaliada.
Já não me assombra tanto os maus julgamentos que fazem de mim e os infinitos erros que enxergam em todos os meus passos. Isso é apenas o preço que se paga pelo jogo limpo. Um preço que eu sempre desejarei pagar. Mais vale ser assim.
Eu que nunca procurei esconderijos para as minhas atitudes, eu que nunca quis iluminar meias verdades, sempre apresentei a todas as platéias o pior e o melhor de mim. Sempre de cara limpa.
Era teu rosto sujo que não me deixava acreditar no seu amor. E teu rosto sujo, cada vez mais sujo, ainda me condenava por isso.
Eu que nunca compreendi seu modo de amar, hoje não desejo mais compreender. Não quero nunca alcançar essas suas razões, quero manter longe de mim todas essas suas certezas e quero que pra sempre suas atitudes sejam ininteligíveis pra mim, porque pra compreender seus atos também eu teria de sujar meu rosto.
Eu, que nunca acreditei no teu amor, deixei completamente de acreditar em você.
O que me dói é ter sempre um rosto mais feio pra conhecer, uma encenação mais atroz.
Essa falta de verdade nos teus atos é que me corta o peito.
Esse seu medo infantil de assumir o que sente e essa inexplicável força de reprimir toda a sua verdade é que me fazem temer suas atitudes que, no fundo, nunca compreendi.
É por não entender o que você espera de mim que sempre precisei dar passos para trás. Por sempre estar rodeada das suas certezas imutáveis, desejei caminhos mais leves.
Porque, um dia, todos nós descobrimos que o amor não pesa tanto assim, não exige tanto assim.
É a tua falta de tato com os sentimentos que te afastam do meu universo. A sua preocupação irritante com suas possíveis dores e sofrimentos é que não te permite a experiência da felicidade.
Dói saber que você não percebeu, mesmo agora, que não se pode ser feliz com tanta cautela e nenhuma cicatriz. “Os medíocres apenas escorregam. Os bons quebram a cabeça”, lembra?
Era pra você ter quebrado a cabeça depois do escorregão, mas você foi pouco pra isso.
Essa tua crueldade de apontar os meus erros e esconder todos os seus é que me faz perder o brilho no olhar. E você consegue sempre ser menor, sempre ser mais vil.
Agora já não me assusto tanto por ser tão incompreendida e mal avaliada.
Já não me assombra tanto os maus julgamentos que fazem de mim e os infinitos erros que enxergam em todos os meus passos. Isso é apenas o preço que se paga pelo jogo limpo. Um preço que eu sempre desejarei pagar. Mais vale ser assim.
Eu que nunca procurei esconderijos para as minhas atitudes, eu que nunca quis iluminar meias verdades, sempre apresentei a todas as platéias o pior e o melhor de mim. Sempre de cara limpa.
Era teu rosto sujo que não me deixava acreditar no seu amor. E teu rosto sujo, cada vez mais sujo, ainda me condenava por isso.
Eu que nunca compreendi seu modo de amar, hoje não desejo mais compreender. Não quero nunca alcançar essas suas razões, quero manter longe de mim todas essas suas certezas e quero que pra sempre suas atitudes sejam ininteligíveis pra mim, porque pra compreender seus atos também eu teria de sujar meu rosto.
Eu, que nunca acreditei no teu amor, deixei completamente de acreditar em você.
domingo, 20 de setembro de 2009
Citações Auto Explicativas
Dan: Eu me apaixonei por ela, Alice.
Alice: Oh, como se você não tivesse opção? Tem um momento, sempre existe um momento, eu posso fazer isso, eu posso entrar nisso, ou posso resistir a isso, e eu não sei quando seu momento foi, mas eu aposto que teve um.
Alice: Oh, como se você não tivesse opção? Tem um momento, sempre existe um momento, eu posso fazer isso, eu posso entrar nisso, ou posso resistir a isso, e eu não sei quando seu momento foi, mas eu aposto que teve um.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Ao acaso.
Do universo, o amor. Do amor, a imortalidade. Da imortalidade, o tempo infinito e, do infinito, o espaço pros sonhos.
Dos sonhos, quero a fé na realização. Da realização, o próximo passo. Do passo, a esperança de um bom caminho e, do caminho, todas as suas possibilidades.
Da possibilidade, quero a ventura. Da ventura, a beleza de não ter planos. Dos planos, quero os mais atrevidos rascunhos e, dos rascunhos, os mais belos versos.
Dos versos, quero a verdade escancarada. Da verdade, a parte interessante e, do interessante, a liberdade da alma.
Da alma, desejo o mais imoral. Do imoral, o mais sincero. Da sinceridade, a delicadeza e, da delicadeza, a sua força incomparável.
Do incomparável, os teus olhos e, dos teus olhos, o mais lindo sorriso. Do sorriso, quero a despretensão. Da despretensão, quero o acerto. Do acerto, o exercício e, do exercício, quero a tentação.
Da tentação, quero o melhor pecado e, do pecado, quero o perdão. Do perdão, quero a compreensão e, da compreensão, a inocência.
Da inocência, quero a imunidade ao mal. Do mal, o impacto. Do impacto, quero o contato e, do contato, quero poucas explicações.
Das explicações, quero as reticências e, das reticências, quero o teu silêncio. Do silêncio, a inspiração. Da inspiração, o sopro de vida.
Da vida, quero a intensidade e, da intensidade, todas as cores. Das cores, quero o conjunto e, do conjunto, quero o toque.
Do toque, o som e, do som, a mais bela música. Da música, protejo a tua voz, o meu universo. Do universo, amparo o amor e, do amor, a imortalidade.
Dos sonhos, quero a fé na realização. Da realização, o próximo passo. Do passo, a esperança de um bom caminho e, do caminho, todas as suas possibilidades.
Da possibilidade, quero a ventura. Da ventura, a beleza de não ter planos. Dos planos, quero os mais atrevidos rascunhos e, dos rascunhos, os mais belos versos.
Dos versos, quero a verdade escancarada. Da verdade, a parte interessante e, do interessante, a liberdade da alma.
Da alma, desejo o mais imoral. Do imoral, o mais sincero. Da sinceridade, a delicadeza e, da delicadeza, a sua força incomparável.
Do incomparável, os teus olhos e, dos teus olhos, o mais lindo sorriso. Do sorriso, quero a despretensão. Da despretensão, quero o acerto. Do acerto, o exercício e, do exercício, quero a tentação.
Da tentação, quero o melhor pecado e, do pecado, quero o perdão. Do perdão, quero a compreensão e, da compreensão, a inocência.
Da inocência, quero a imunidade ao mal. Do mal, o impacto. Do impacto, quero o contato e, do contato, quero poucas explicações.
Das explicações, quero as reticências e, das reticências, quero o teu silêncio. Do silêncio, a inspiração. Da inspiração, o sopro de vida.
Da vida, quero a intensidade e, da intensidade, todas as cores. Das cores, quero o conjunto e, do conjunto, quero o toque.
Do toque, o som e, do som, a mais bela música. Da música, protejo a tua voz, o meu universo. Do universo, amparo o amor e, do amor, a imortalidade.
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